domingo, 31 de outubro de 2010

A mídia contra o Cristo Parte II

Abaixo, mais amostras de reportagens para desqualificar Jesus e a Bíblia como Palavra de Deus, agora, retiradas da Editora Globo, revistas Época e Galileu.


A FAMÍLIA OCULTA DE JESUS

“Intrigado com a implicância que os evangelistas tinham com os parentes de Jesus, o jornalista A.N. Wilson, autor de Jesus, um Retrato do Homem (Ediouro), faz outra afirmação chocante. Diz que o primeiro casamento do carpinteiro José, antes de conhecer a mãe de Cristo, 'foi provavelmente inventado para satisfazer àqueles que, como os atuais católicos romanos, eram instigados a acreditar na virgindade perpétua de Maria'. O jornalista recorre ao Evangelho de São Marcos para afirmar que Jesus fazia parte de uma grande família e teve quatro irmãos - Tiago, José, Simão e Judas - e duas irmãs. E mais: lembra que praticamente todas as referências à família, tanto nos evangelhos canônicos como nos apócrifos, são de conflito. Os parentes de Jesus seriam briguentos. Nesses textos, observa Wilson, Jesus surge como homem rude, que repreende a mãe, abandona o lar, renuncia à família e parte para pregar” (Época, 14/04/2003)

ALÉM DA BÍBLIA

“No caso dos cristãos, a seleção(dos textos) também foi feita aos poucos, eliminando-se versões que, por um motivo ou outro, não eram aceitas pela maioria das comunidades ou pareciam conflitar com o corpo dos ensinamentos. O evangelho de Maria Madalena afirmava que não existia pecado. Em seus relatos, as mulheres exerciam posições de liderança nas comunidades cristãs. No livro, Madalena não teria sido uma prostituta, como dizem os Evangelhos oficiais, mas uma seguidora do mestre. Livros com relatos da infância de Jesus também ficaram de fora, como os que descrevem a capacidade do Messias de transformar pássaros de barro em animais vivos com seu sopro. O cânon católico, com 73 escritos, só foi definido em 1546, durante o Concílio de Trento. No mesmo período os protestantes rejeitaram sete livros do Antigo Testamento não escritos em hebraico ou aramaico. Até hoje os evangélicos consideram apócrifos textos como Judite e Eclesiástico” ”(Época, 28/07/2003)

“Mas mesmo nos textos aceitos por todas as vertentes cristãs há controvérsia quanto a trechos que teriam sido acrescidos posteriormente para estimular o comprometimento dos fiéis ou formatar a religião. O final do Evangelho de Marcos, que menciona a ascensão de Jesus, pode ter sido acrescentado para reforçar seu caráter divino e a missão que deixou aos discípulos. Outro possível acréscimo seria a história da pecadora prestes a ser apedrejada que foi salva por Jesus, relatada por João, talvez para consolidar uma imagem misericordiosa do mestre. Como tudo o que se refere ao livro sagrado, essas hipóteses dificilmente poderão ser esclarecidas em definitivo”(Época, 28/07/2003)

A BÍBLIA REESCRITA PELA CIÊNCIA

“Episódios como a fuga do Egito, a conquista da Terra Prometida e o reinado de Davi e Salomão compõem a obra essencial do mundo ocidental. É ela que deu o fundamento religioso ao judaísmo, e assim consolidou as aspirações de um povo. Sob o nome de Antigo Testamento, é ela que também deu início a uma religião revolucionária, com base nos ensinamentos de Jesus. Muitas pessoas hoje lêem esses textos sagrados como se fossem livros de História - ou seja, relatos ao pé da letra sobre o que aconteceu em determinada época. Outras afirmam justamente o contrário, que quase nada do que está descrito na Bíblia realmente ocorreu. O texto, segundo elas, consistiria simplesmente em uma pregação feita em linguagem figurada e poética, própria de seu tempo, e sem relação com a História factual”

“Por anos, os cientistas buscaram o indícios de um Moisés histórico, sem sucesso. É pouco provável que existisse um líder tão importante comandando uma revolta de proporções, e ainda criado por uma filha de faraó, sem que isso fosse registrado nos documentos oficiais ä egípcios”

“O que os especialistas vêm descobrindo, com cada vez maior clareza, é que o Antigo Testamento foi composto de uma série de lembranças ancestrais, lendas, mitos e histórias populares de diversas tribos israelitas, todos 'costurados' em um único texto ... Segundo os especialistas, a Bíblia pegou uma série de histórias e lendas de personagens como Abraão, Moisés e Josué, que existiam isoladamente, e colocou-as juntas em um mesmo texto. Essa composição ocorreu provavelmente nas últimas décadas do século VII a.C., no pequeno reino de Judá

“os cientistas têm concluído que a dinastia real de Davi não era tão poderosa como diz a tradição bíblica. Tudo indica que Davi, Salomão e sua dinastia governavam apenas Judá, e não um reino unificado. Israel, mais poderoso que Judá entre os séculos XI a.C. e X a.C., possuía outros governantes e uma relação comercial mais intensa com as regiões adjacentes. Além disso, na época de Davi e Salomão, Jerusalém, centro administrativo de seu reino, era uma cidade pequena e pouco influente. Ela só iria se tornar um centro expressivo séculos depois. 'O reino de Judá permaneceu relativamente desocupado de uma população permanente, muito isolado e marginal durante e logo depois do tempo presumido de Davi e Salomão, sem grandes centros urbanos e sem hierarquia articulada de vilas, aldeias e cidades', escrevem Finkelstein e Silberman” Época, 22/12/2003).

RECONSTRUINDO JESUS

“Novas descobertas trazem à tona um homem simples, talvez analfabeto, difícil de ser rastreado e longe de se sentir uma entidade poderosa e onisciente. Como ficam as crenças cristãs diante desse Jesus histórico?”

“"Em todo o mundo romano, o costume era abandonar o cadáver na cruz, para ser comido por abutres ou cães", lembra o historiador da UFRJ. Ele também diz ser suspeita a figura de José de Arimatéia, judeu rico e simpatizante de Jesus que teria obtido seu corpo e organizado o sepultamento, segundo os Evangelhos. "Camponeses como os seguidores de Jesus não teriam como se dirigir a Pilatos para exigir o corpo. Assim, os evangelistas têm o problema de explicar o sepultamento de Jesus e usam a figura de Arimatéia, que praticamente cai de pára-quedas na narrativa" (Galileu, ed 206)

O DESAFIO DE ENTENDER JESUS

Esses relatos(dos Evangelhos) misturam, com muita liberdade, fatos históricos e enfeites mitológicos, e atribuem a cada episódio um significado transcendental. "Há neles uma clara tentativa de adaptar os detalhes da vida de Jesus às profecias do Antigo Testamento"

“Na construção do mito de Jesus, que prosseguiu muitos séculos após a redação dos evangelhos, não entraram apenas elementos da tradição judaica, mas também do mundo pagão. Os estudiosos apontam claros paralelos entre a imagem mitológica de Jesus e divind ades como Mitra, Apolo e Dionísio. E o pesquisador francês Alain Daniélou vai mais longe, identificando no Jesus mítico importantes traços de uma das religiões mais antigas do planeta, o xivaísmo indiano, cujos vestígios remontam à pré-história” (Galileu, ed. 113)


O QUE ACONTECEU DEPOIS DA PÁSCOA

“Para criar uma religião mundial, o Jesus libertador do povo judeu foi transformado no Filho de Deus e ganhou o nome de Cristo”

“A religião cristã não começou com Jesus. Segundo estudos recentes feitos por historiadores e teólogos cristãos, a imagem desse homem como Filho de Deus surgiu alguns anos após sua morte em Jerusalém por volta do ano 30 do que hoje chamamos Era Cristã. Mais ainda: a versão de que Jesus teria sido condenado pelo povo judeu passou a ser construída muito depois de sua morte, com a elaboração dos evangelhos”.

“O Cristo celestial de Paulo obscurece o Jesus histórico, cresce com o Império Romano e se expande para o mundo” (Galileu, ed 117)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A mídia contra o Cristo Parte I

Durante toda a sua vida editorial, o grupo Abril produziu matérias de capa sobre a Bíblia, Jesus e o Cristianismo em geral. Todas elas, sem exceção, reproduzem estudos liberais europeus e norte americanos que tratam de desqualificar a Bíblia como Palavra de Deus e mostrar que a Escritura é apenas mais um livro antigo de um povo antigo, humano, demasiado humano. O esforço destes eruditos é mostrar que Jesus, como ser divino, foi uma farsa inventada pela igreja primitiva; os evangelhos são um amontoado de textos interesseiros com interpolações, adições e subtrações conforme o interesse político da igreja que deu certo. Abaixo, apenas uma amostra de centenas de reportagens pondo em descrédito Jesus, a Bíblia e o Cristianismo.


JESUS QUEM ERA ELE

"Não há história mais cheia de furos, esta é a verdade. Os relatos são confusos, as zonas de sombra se sucedem, as contradições abundam. Caso se leia cada Evangelho por si, verticalmente, muito bem - cada história até que exibe certa coerência. O problema começa quando se parte para a leitura horizontal, comparando um com outro"


"Quando se compara os evangelistas com outras fontes, externas a eles, o resultado pode ser desastroso. Veja-se o caso do douto Lucas, quando dá suas coordenadas históricas - ele erra tudo"


"O que se vai abordar aqui é o Jesus histórico. Que isso fique claro, de uma vez por todas. Não é o Jesus teológico. Não é o Cristo dos altares. Tampouco é o Jesus de cada um. nascido no recôndito recanto da intimidade onde brota, ou não brota, a fé. O Jesus em questão é o que nasceu, viveu e morreu na Palestina, concretamente, num determinado período histórico. Sobre esse Jesus um dos maiores estudiosos do Novo Testamento neste século, senão o maior, o alemão Rudolf Bultmann, escreveu, nos anos 20: "...já não podemos conhecer qualquer coisa sobre a vida e a personalidade de Jesus, uma vez que as primitivas fontes cristãs não demonstram interesse por qualquer das duas coisas, sendo além disso fragmentárias e muitas vezes lendárias, e não existem outras fontes". Bultmann era pessimista, como se vê, a ponto de depor as armas, no que se refere à pesquisa histórica de Jesus" (Veja, 23/12/92)


A MORTE DE JESUS

“Os evangelistas, pessoas que mal se sabe quem são, e onde viveram, não trabalharam com informações de primeira mão. Há um consenso entre os eruditos, hoje, de que seus trabalhos datam de no mínimo quarenta anos depois da morte de Jesus, sendo o mais antigo o de Marcos (escrito por volta do ano 70 a.D.), e o mais novo o de João (cerca de 10 a.D.). Nas narrativas da paixão, os evangelistas incluíram(*) personagens e situações inesquecíveis - as negações de Pedro antes de o galo cantar, os sumos sacerdotes Anãs e Caifás, o bom e o mau ladrão - e uma bomba-relógio. A bomba-relógio são as fortes acusações contra os judeus, tratados como responsáveis pela morte de Jesus. Ela foi estourando com intensidade variada ao longo dos séculos”. (VEJA, ed 12/04/95)


A BUSCA PELO JESUS DA HISTÓRIA

Os especialistas discutem livremente a função de proselitismo dos Evangelhos. A própria narração do Natal é interpretada como sendo uma espécie de esforço de propaganda. Belém era a cidade do rei Davi, uma ótima maneira de reforçar, a posteriori, a afirmação de que Jesus era o Messias

A busca pelo Jesus histórico – como de resto da maioria das investigações materiais da Antiguidade – produz mais dúvidas do que respostas. Nem a morte do Nazareno na cruz, uma das poucas certezas da história, deixa de suscitar interrogações” (Veja, ed. 15/12/2004)


QUEM FOI JESUS?

“Ele não nasceu em Belém, teve vários irmãos e sua morte passou quase despercebida no Império Romano. A história e a arqueologia desencavam o Jesus histórico - um homem bem diferente daquele descrito nos evangelhos” (SUPER, ed 183)

A BIBLIA PASSADA A LIMPO

“Descobertas recentes da arqueologia indicam que a maior parte das escrituras sagradas não passa de lenda”

“O problema central do Novo Testamento é que seus textos não foram escritos pelos evangelistas em pessoa, como muita gente supõe, mas por seus seguidores, entre os anos 60 e 70, décadas depois da morte de Jesus, quando as versões estavam contaminadas pela fé e por disputas religiosas ... O resultado é que, depois de dois milênios, parece impossível separar o verdadeiro do falso no Novo Testamento”

“O principal indício de que as conquistas de David e o império de Salomão são, em sua maior parte, invenções é que, no período em que teriam vivido, a arqueologia prova que a cultura canaanita (que, segundo a Bíblia, teria sido destruída) continuava viva. A conclusão é que David e Salomão teriam sido apenas pequenos líderes tribais de Judá, um Estado pobre e politicamente inexpressivo localizado no sul da Palestina” (SUPER, ed. 178)



A FRAUDE DE SÃO PAULO

“Há vários indícios de que, como num plano de sabotagem, Paulo divulgou, em nome do Messias, uma doutrina falsificada”

“Muito do conteúdo das epístolas está claramente em oposição à doutrina de Jesus. Isso ficou evidente após o descobrimento de escrituras autênticas e completas dos ensinamentos de Cristo: o Evangelho dos Doze Santos, encontrado em 1850 no Tibete; o Evangelho Essênio da Paz, achado na Biblioteca do Vaticano em 1925; e os Manuscritos do Mar Morto, encontrados em 1945 numa caverna do Oriente Médio, com os ensinamentos dos essênios que viveram nos séculos I e II” (SUPER, ed. 170)



PROCURA-SE JESUS

“Para a maioria dos pesquisadores os reis magos, o presépio e a estrela de Belém são invenções dos evangelistas para identificar o nascimento de Jesus com a vinda do Messias, que já era anunciado no Velho Testamento. A expressão é profana mas vale: há muito marketing político nos evangelhos” (SUPER, ed 103)



JESUS ANTES DE CRISTO

“Se você também está se perguntando por que os historiadores buscam evidências do nascimento de Jesus na cidade de Nazaré – e não em Belém, cidade natal de Jesus, de acordo com os evangelhos de Mateus e Lucas –, é bom saber que, para a maioria dos pesquisadores, a referência a Belém não passa de uma alegoria da Bíblia. Na época, essa alegoria teria sido escrita para ligar Jesus ao rei Davi, que teria nascido em Belém e era considerado um dos messias do povo judeu” (AVENTURAS NA HISTÓRIA)



O EVANGELHO SEGUNDO JUDAS

“Por dois milênios, Judas foi apontado como o maior traidor de Jesus. Agora, documentos sugerem que ele pode ser sido o mais fiel de seus seguidores” (SUPER, ed 226)



QUEM MATOU JESUS?

“De onde saíram então os relatos presentes nos Evangelhos? Segundo alguns pesquisadores, das profecias judaicas e da tentativa dos cristãos de confirmar Jesus como o messias. "Não vejo razão alguma para aceitar o que os Evangelhos falam sobre esses julgamentos como verdade histórica", afirmou à Super o historiador John Dominic Crossan, da Universidade DePaul, em Boston, Estados Unidos, um dos mais respeitados estudiosos do assunto. Para Crossan, tudo não passa de reciclagem: textos do Velho Testamento, escritos séculos antes da crucificação, teriam sido mastigados pelos evangelistas para dar uma aura de nobreza à morte de Jesus” (SUPER, ed 199)



QUEM ESCREVEU A BÍBLIA?

“A resposta tradicional você já conhece: segundo a tradição judaico-cristã, o autor da Bíblia é o próprio Todo-Poderoso. E ponto final. Mas a verdade é um pouco mais complexa que isso ... As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada Terra de Canaã, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel e pedaços da Jordânia, do Egito e da Síria ... O problema é que, a essa altura do campeonato, gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito. “Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram também propositais” (SUPER, ed. 259)



A CRIAÇÃO DA BÍBLIA

“Durante muito tempo, a maioria dos cristãos (hoje estimados em mais de 2 bilhões) se contentava com uma resposta simples para essa pergunta: a Bíblia fora escrita por líderes religiosos inspirados diretamente por Deus, e pronto. “Ainda hoje há uma noção ingênua de que ela praticamente caiu do céu”, diz o historiador André Chevitarese, professor de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em primórdios do cristianismo. “Poucos se dão conta de que esses textos foram selecionados, escritos, copiados e modificados durante séculos e que, até chegar às versões atuais, muitos outros manuscritos ficaram de fora.” (Aventuras na História, ed. 087)



A INVENÇÃO DE DEUS

“Por isso mesmo, quem lê o Antigo Testamento (o Pentateuco, para os judeus) sabe que Javé não guarda semelhanças com o pai dócil ou amoroso que mais tarde o cristianismo iria propagar. “É um deus brutal, parcial e assassino: um deus de guerra, que seria conhecido como Javé Sabaoth, Deus dos Exércitos”, escreveu a historiadora Karen Armstrong. “É passionalmente partidário, tem pouca misericórdia pelos não favoritos, uma simples divindade tribal.” (Aventuras na História)



ABRAÃO EXISTIU?

“Talvez historicamente não tenha existido um só Abraão, mas vários, que ajudaram a compor o Abraão bíblico ... Até aquela época, as narrativas eram basicamente orais. Circulavam várias histórias sobre Abraão e os demais patriarcas. Aos poucos, esses relatos começaram a ser escritos, obviamente sofrendo influências literárias e ideológicas de acordo com o momento histórico que o povo vivia ... Assim, quando as últimas versões do Gênesis foram escritas, os redatores tentaram substituir referências às divindades da região de Canaã – como o nome El – por invocações a Iahweh. Interferências como essa também moldaram a figura do Abraão bíblico ... Vários clãs contavam as histórias dos seus pais e fundadores. A história de Abraão foi a que prevaleceu e acabou absorvendo as demais” (SUPER, ed. 190)


PAULO TRAIU JESUS?

“Paulo, o homem que inventou Cristo ... A influência de Paulo é indiscutível. Mas, para uma corrente de historiadores e teólogos, ele deturpou os ensinamentos de Jesus Cristo – a ponto de a mensagem cristã que sobreviveu ao longo dos séculos ter origem não em Cristo, mas em Paulo. Esses pensadores julgam ser mais correto dizer que o que existe hoje é um "paulinismo", não um cristianismo. "As cartas de São Paulo são uma fraude nos ensinamentos de Cristo. São comentários pessoais à parte da experiência pessoal de Cristo” (SUPER, ed. 195)


UM OUTRO JESUS

“Mas, afinal, que textos(Apócrifos) são esses? Dá para dizer que eles são vestígios de cristianismos perdidos. Sim, é isso mesmo: o cristianismo, no começo, não era um só, eram vários. "Nos séculos 2 e 3, havia cristãos que acreditavam em um Deus. Outros insistiam que Ele era dois. Alguns diziam que havia 30. Outros, 365", escreve Bart Ehrman, professor de Estudos Religiosos na Universidade da Carolina do Norte, no livro Lost Christianities ("Cristianismos Perdidos", sem versão em português)”

“Os evangelhos apócrifos, da mesma forma que os canônicos, não devem ser encarados como reproduções exatas das palavras de Jesus Cristo, mas como interpretações da mensagem dele feitas pelas primeiras comunidades cristãs”


A HISTÓRIA SECRETA DO CRISTIANISMO

“As igrejas maiores e mais influentes tentaram impor seus textos, o que as menores não aceitavam. Havia debates e acusações mútuas de heresia entre elas. A peleja continuou até o século 4, quando tudo indicava que o cristianismo apostólico iria prevalecer sobre os outros cristianismos”

“Os apócrifos revelam que o Novo Testamento não nasceu pronto e acabado e que os textos que servem de base para a atual doutrina cristã passaram por um complicado processo de “edição”. Também deixam claro que, ao contrário do que se imaginava, o cristianismo praticado hoje não era o único nos primeiros séculos. Existiam vários cristianismos, cada um com sua própria interpretação da vida de Jesus e seus ensinamentos”

“Começou, então, a perseguição a todos que ousavam discordar da recém-formulada Escritura Sagrada. Os gnósticos, docetas, ebionitas e ofitas foram acusados de heresia. Os que insistiam em desrespeitar o cânon eram punidos com a excomunhão ou a morte” (SUPER, ed. 254a)


Ora, a estratégia mais eficiente para levar à bancarrota o Cristianismo é solapando as suas bases estruturais, sobre as quais ele é erguido e isto é feito pondo em dúvida, mesmo desqualificando, a verdade de seus textos e a honestidade de seus autores.


A divulgação e publicidade dessas pesquisas ao público leigo sem muito entendimento de erudição - como Veja faz no Brasil - foram responsáveis pelo que se vê hoje na Europa: uma total apostasia da fé cristã e descrétido da Bíblia. Os Europeus estão voltando às religiões primitivas de seus antepassados ou se declarando pós-cristãos, graças a um engendramento político, gigantesco e milionário, de divulgação dos estudos destes eruditos pela mídia atéia.


*grifos meus

P.S. encontra-se os mesmos resultados pesquisando as capas sobre os mesmos temas na Revista Época e Galileu, da Editora Globo, embora eles tentem ser menos ácidos nas críticas que os da Abril.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nietzsche e os neopentecostais

“Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada; só o SENHOR será exaltado naquele dia” (Is 2.11)

Nietzsche, de família cristã (seus dois avós eram pastores protestantes) conhecia muito bem o meio religioso e a Teologia. Falava com propriedade da Escola de Tubingen e criticou D.F. Strauss, um teólogo eminente de sua época. Começou como seminarista, até se encontrar com o professor Ritschl que o firmou na filologia, desistindo da teologia e filosofia.

Nietzsche fez virulentas e ácidas críticas ao Cristianismo. Em sua época, ele percebeu que a teologia tanto católica quanto protestante tinha um discurso que, segundo ele, “negava a vida”, em termos técnicos, eram doutrinas niilistas. E qual era a concepção de mundo deste cristianismo que Nietzsche criticava? “segundo Nietzsche, o cristianismo concebe o mundo terrestre como um vale de lágrimas, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além... inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes”(1). A solução para isso era uma transvaloração dos valores e da moral cristã, anunciando um homem que prezava pela desmedida dionisíaca, pelos instintos, pela paixão, por amar a vida, aqui e agora com suas benesses ou tragédias.

Nietzsche não gostava desse negócio de igualdade pregado pelo cristianismo ou da democracia, conquista da política; para ele é necessário os aristoi, ou seja os melhores, um grupo de aristocratas que sabiam se afirmar autenticamente na vida. Ou seja, era necessário uma boa hierarquia onde havia uma clara distinção entre os fortes e o reino dos fracos e oprimidos. O aristocrata era nobre belo e feliz, por isso “bom”. Ora, no neopentecostalismo a hierarquia é uma estrutura de vida ou morte. Apóstolos, Bispos e pastores são excelentes patentes. Há mesmo quem faça orações distintas, mais eficazes, mais “fortes”, há níveis de posições ocupadas apenas pelos “nobres", capazes de bendizer ou amaldiçoar quem quer que seja.

Para Nietzsche, os homens fracos, cheios de culpa e ressentimento e, por não terem competência para se afirmarem na vida com sucesso, inventaram uma artimanha maligna, que era a de fazer com que os nobres e valorosos sentissem culpa por serem assim, e fazer com que todo mundo elogiasse, na verdade, a sua condição de miserável e pobre. Mas, no fundo, estes infelizes escravos gostariam de estar no lugar dos seus senhores, comendo de cada migalha de seus privilégios. Ora, o que se vê não é os líderes do neopentecostalismo usufruindo de todas as vantagens e privilégios dos milionários, do capital e mesmo, além dele? Jamais eles vão desejar o estrato dos pobres, embora Lucas tenha dito: “bem aventurados sóis vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Lc 6.20)

Nietzsche precisava viver para ver no que o cristianismo neopentecostal se transformou: ironicamente, a imagem e semelhança de alguns aspectos de sua filosofia. Keneth Hagin e seus asseclas transformaram o crente num super-homem, um homem intocável diante dos problemas da vida; a teologia do domínio, da “determinação”, do “tomar posse”, e da prosperidade esqueceu-se da vida além túmulo(2); a felicidade pode ser vivida nesta vida, e com bastante abundancia; valores tão denunciados por Nietzsche, os quais a Igreja tinha como os verdadeiros, como a humildade, a piedade, a pobreza, a miséria, o sofrimento, a impotência, a necessidade e até a enfermidade são considerados pelos neopentecostais, pasmem, anti-cristão e malignos. Quem apregoa tais valores participa da “teologia do fracasso”. Pode-se ver que os pontos em comum da filosofia de Nietzsche e a teologia Neopentecostal são muitos, porém nem todos. Nietzsche não suportou quando Richard Wagner, empavonado, pareceu gostar da ovação de sua platéia. Que pena, neste ponto os neopentecostais iriam desgostar Nietzsche, por que de tal coisa eles não abrem mão. Nas suas entradas triunfais em seus cultos, eles são recebidos com aplausos, assobios e shows pirotécnicos. Eles se esqueceram que Cristo denunciou "os que amam ao primeiro lugar nos banquetes, e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens" (Mt 23.6,7).

Enfim, palavras tão prezadas pelo neopentecostais como “honra”, “nobreza”, “riqueza”, “mérito”, “excelência” parecem ter seus significados resgatados tal como Nietzsche gostaria que fosse: uma inversão de valores. A crítica que Nietzsche fez ao Cristianismo de sua época, não cabe mais aos neopentecostais de hoje. Estes, cansaram da idéia do pastor ser um "mendigo de gravata", pelo contrário, na essência do ser humano há o desejo de ser honrado, homenageado, reconhecido, e que pensar de outra maneira é hipocrisia.

Talvez eu esteja fazendo muita injustiça a Nietzsche devido à complexidade do seu pensamento, tentando fazer uma ligação de sua filosofia com alguma forma de cristianismo, o qual ele tinha completa aversão. Os neopentecostais precisam ler Nietzsche, para o bem ou para o mal. Mas, ouso dizer que, a bem da verdade, há mais coisas entre Nietzsche e os neopentecostais do que pensa a nossa vã teologia.



[1] Os Pensadores. Nietzsche. Sâo Paulo, Nova Cultural, 1996, pg 10,11

[2] fato observável é que suas pregações nunca são escatológicas, mas sim, existencialistas. Seus temas são para o aqui e o agora, cura de enfermidades e progresso na vida material. E da maneira regalada como alguns estão vivendo, talvez prefiram que Jesus demore bastante para voltar.